terça-feira, 23 de novembro de 2010

ADAPTAÇÃO À EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


                 Pesquisas e estudos  feitos no decorrer de dois anos na disciplina didática on-line no curso de graduação em pedagogia da Faculdade de Educação da UERJ, permitiram perceber que alunos oriundos de uma educação presencial necessitam de um certo tempo de adaptação a modalidade de Educação a Distância (EaD). Esta adaptação se torna uma aprendizagem ao novo paradigma no relacionamento do aluno com seu próprio aprendizado, que se bem "internalizado" traz benefícios a outra áreas da vida desse aluno.
              Entretanto, a EaD é uma novidade na vida doAtualmente este e um dos grandes fatores de evasão nessa modalidade de ensino. Porém, aqueles que perseveram percebem que devem ser capazes de fazer opções sobre seu processo de aprendizagem, definindo seu ritmo de estudo, preferências curriculares, metodologia de aprendizagem. Nesse processo o aluno desenvolve autonomia, evidente que quando o aluno é uma pessoa autônoma, essa adaptação se torna mais fácil, porém não tendo esta característica desenvolvida, o curso torna-se um instrumento para desenvolvê-la.
Houve relatos de alunos declarando que vencida a dificuldade inicial se apaixonaram por essa modalidade, pois além de saírem da fase inicial como uma pessoa mais autônoma, beneficiando outros setores de sua vida, podem usufruir de todos os benefícios que esta modalidade trás como a flexibilidade de horários, que permite estudar em qualquer hora e lugar, não precisando deslocar-se especificamente para isso.
O processo de planejamento da educação a distância é extremante trabalhoso e apesar do nome, uma de suas principais propostas é aproximar seus usuários e criar vínculos afetivos que auxiliem no ensino aprendizagem e na interação de professores e alunos.

Nessa adaptação a autonomia é uma característica importante, porém não é a única. Para obter sucesso nesse curso o aluno precisa de outras características como: estar receptivo para compartilhar e trocar experiências como parte de seu processo de aprendizagem, pois ao contrário do se pode imaginar, a pesquisa de campo mostrou que a troca entre os alunos do curso a distância não é menor do que no presencial, notamos que eles se correspondem na internet trocando material e opiniões de uma forma igual ou até maior do que costumamos fazer num curso presencial, intensificando nos períodos de avaliação como ocorre no presencial.

O relatos dos alunos de EaD demonstram que a distância geográfica não define a distância transacional, que se torna menor à medida que o programa de ensino está aberto, não fixado ou determinado, provocando diálogos mais freqüente, no caso pela web, através de chats, entre outra redes sociais.
Com a utilização dos recursos tecnológicos pela educação à distância, seriam estabelecidas, também, novas formas de interação no âmbito educativo, onde os alunos não mais seriam figurantes, mas sim sujeitos e protagonistas no processo de ensino aprendizagem, possuindo autonomia suficiente para pesquisarem e publicarem através da web suas devidas considerações. Segundo os pensamentos da professora e autora Vani Moreira Kenski:


“Cabe ao professor orientar o processo, estimular o grupo para participar e apresentar opiniões, criar um clima amigável de envolvimento para que todos possam superar suas inibições de comunicar-se virtualmente com seus colegas. O aluno, em uma abordagem cooperativa de ensino, tem maior autonomia e maior grau de responsabilidade. Tem tarefas a cumprir e se expõe mais facilmente, pois sempre haverá tempo e espaço para a apresentação das suas opiniões. Ainda mais, será solicitado – pelo professor e pelos colegas – a se posicionar, dizer o que pensa tomar partido.”
(KENSKI, 2008 p. 14.)

As barreiras e conceitos pré-estabelecidos sobre a educação à distância ou sobre a inserção dos aparatos tecnológicos para uma amplitude do espaço escolar e seu todo, faz que os alunos fiquem a mercê de um processo pelo qual ficam subordinados a apenas apreenderem seus conteúdos não podendo ser sujeitos de sua própria aprendizagem e tão pouco podendo interferir nos mesmos. A tecnologia não pode ser uma inimiga do ato educativo, mas sim uma grande contribuinte capaz de aproximar qualquer distância e desconstruir qualquer resistência ou constrangimento.

Para melhor adaptação dos educandos, é necessário também desenvolver habilidade para comunicação escrita, já que esse será um dos constantes meios de comunicação, lembrando que a comunicação a distância tem menor recurso de percepção de sentimentos e necessita de maior clareza na escrita para não haver interpretação dúbia, o que causaria “ruído” nos diálogos refletindo no desempenho do curso.
Outro fator no qual os alunos entrevistados relataram dificuldade de adaptação está relacionado com o compromisso: o tempo necessário para realizar as atividades previstas e a criação de um hábito de estudo. O aluno de EaD precisa construir seu tempo e espaço de estudo, que por não serem estabelecidos, assim como na escola que possui horários previamente determinados e um mínimo de frequência. Este aluno precisa ser pontual e priorizá-lo perante a si próprio, não adiando o momento de estudo. Para tanto é necessária uma re-educação na administração dos seus horários e tarefas, contendo horários livres, porém contínuos ou fixos, mas que não atrapalhem a rotina do mesmo.
È necessário que esse aluno saiba pensar criticamente, pois segundo a fala de uma aluna entrevistada, quando não é feito previamente o estudo do material didático ou do texto oferecido pelo tutor, refletindo sobre ele, formando opinião, conseqüentemente não terá o que discutir e esclarecer com o tutor na aula presencial, que no caso do curso pesquisado ocorrem nos sábados quinzenalmente.
A partir da pesquisa e das reflexões estabelecidas, notamos que a sociedade ainda está acostumada à sala de aula, e não se deu conta que essa modalidade de ensino não é natural, foi construída historicamente. No passado, a sociedade acostumada com os preceptores que iam à casa dos alunos, ou a aprendizagem de oficio em oficinas, também passou por um período de adaptação ao estudar em salas fechadas com um professor.  A EaD não é modalidade nova, pois o ensino por correspondência teve inicio ao final do século XVIII. Ainda assim compreendemos que adaptações ocorrem em longo prazo e necessitam de diversas outras adaptações para o mesmo fim.
Nos dias de hoje a maioria dos alunos de EaD se encontram numa situação nova, pois a maioria é oriundo da educação tradicional, que se realiza dentro da escola e a modalidade de EaD on-line é uma situação nova iniciada na segunda metade do século passado, sendo necessário um longo período para a renovação social. Essas características são barreiras a serem vencidas na adaptação de uma formação presencial, para a modalidade à distância, e requer disciplina e persistência, mas quando vencido o impacto inicial de mudança da estrutura de aprendizado, o aluno irá apropriar-se dessas características, que vem atender o novo mercado de trabalho, o qual exige conhecimentos das novas tecnologias, autonomia, criticidade e cooperatividade.
A atribuição das várias características a serem desenvolvidas pelos aluno de EaD, citadas ao longo do texto, proporcionarão uma adaptação rápida à nova cultura que chega com o advento da internet, a cyber cultura que acontece no ciberespaço, onde não mais existe a distância geográfica e o conhecimento não se restringe ou professor ou a livros, mas está disponível na web ao alcance de todos que possuem acesso a rede, democratizando o conhecimento e sua construção que se constitui cada vez mais de forma coletiva, não podendo ficar na tutela de um único individuo (professor) ou outro tipo de profissional (detentor de conhecimentos); è uma questão de tempo para que cada vez mais os alunos de hoje possam sentir-se pertencentes ao novo paradigma de aprendizagem, que em breve necessitará que todos possuam características dos alunos já adaptados à EaD.   

    aluno que teve toda a sua educação cursada na modalidade presencial e não na Educação, pois existe desde  o meiados do século passado.   
               Esse aluno acostumado com a presença do professor que conduz a aprendizagem, não encontra em si mesmo motivações e as necessidades para aprender. Alunos entrevistados mencionaram que pensaram em desistir do curso nos primeiros meses devido à dificuldade de gerir o curso após perceber que aprendizagem nessa modalidade não está centrada no professor e sim nele, o aluno.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

VOCÊ TAMBÉM É ESPECIAL

"Você me vira porque eu não posso andar.
Fecha os olhos e disfarça se eu não puder ver, ouvir ou falar.
E aqui desse lugar distante, em que você insiste em me colocar,
Do meu jeito eu posso pensar no que será que te leva em outra direção virar.
Medo, vergonha, compaixão...se você soubesse que essa minha diferença
Não me faz menos teu irmão.
A escolha dessa prova está longe de ser punição,
è processo educativo da inevitável evolução.
Então te despe do constrangimento,
Me olha nos olhos bem dentro e reflete se cabe a piedade.
Se te achas melhor do que eu, não conhece da Terra a finalidade.
Carinho não te exijo, sentimento não admite imposição,
Mas quero teu respeito, teu incentivo,
Porque nessa encarnação que vivo,
Mereço a tua admiração
E se teus olhos merejarem ao ver a minha dificuldade,
Lembre-se! Você é aprendiz da caridade.
Quando me despedir desse corpo e for seguir o meu carinho.
Quando recobrar os sentidos e tiver de voltar cada habilidade,
Dirigirei aos céus uma prece e agradecerei por esta oportunidade.
è a beleza da justiça Divina!
Somos mesmo diferentes,
Na Terra inteira nínguém é igual.
Mas para Deus, cada um, assim como você e eu, também é especial."